Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

A MÚSICA NA SEMANA DE 22: VILLA-LOBOS E GUIOMAR NOVAES

MÚSICA NA PROGRAMAÇÃO DA
SEMANA DE ARTE MODERNA DE 22


(Desenho de Luiz de Almeida: Nanquim sobre papel cartão (80 x 120 cm), elaborado para o Módulo "Música na Semana de 22" da exposição Retalhos do Modernismo).


Quando da realização da Semana de Arte Moderna de 1922, a música, principalmente os músicos Guiomar Novaes e Ernâni Braga, levaram mais público ao Teatro Municipal que os literatos, que na verdade haviam planejado "protestos" e não "apresentação" ou "show" artístico. Enquanto o público "enfrentava" os literatos, os músicos "enfrentavam-se" nos bastidores.
É pertinente descrever parcialmente um estudo de José Miguel Wisnik, quando executou o trabalho defendido como dissertação de mestrado na USP, em setembro de 1974, editado pela Livraria Duas Cidades, em 1977, com o título: O Coro dos Contrários - A Música em torno da Semana de 22 - págs. 70 e 71, somente para ilustração do mencionado no primeiro parágrafo acima:
"(...) Peças de Satie e Poulenc, interpretadas por Ernâni Braga, ilustraram a conferência de Graça Aranha, "A Emoção Estética Na Arte Moderna", na abertura da Semana. A pequena peça de Satie, utilizada pelos modernistas, correspondia exatamente à intenção de provocar impacto polêmico logo de saída: trata-se "D'Edriophthalma", a segunda da série tripartite dos "Embryons dessechés", e é uma citação paródica da "Marcha Fúnebre" de Chopin. "Desta zombaria está impregnada a música moderna que na França se manifesta no sarcasmo de Eric Satie e que o grupo dos Seis organiza em atitude", dizia Graça Aranha. Nessa peça, Satie faz constrastar o tom misterioso da parte inicial da marcha fúnebre com a redução desnudada da parte central, cuja melodia apresenta na obra de Chopin uma intensidade elegíaca e que é despida aqui, no entanto, de suas inflexões dinâmicas (o que resulta numa espécie de achatamento dos relevos sonoros) e reduzida a exposição da hormonia ao mecanismo de um baixo infantilizado. (...) A apresentação dessa peça corresponde, no contexto da Semana, enquanto atitude de ruptura com o passado, às afirmações de Oswald de Andrade sobre Carlos Gomes: "Carlos Gomes é horrível. Todos nós o sentimos desde pequeninos. Mas como se trata de uma glória de família, engolimos a cantarolice toda do 'Guarani' e do 'Schiavo', inexpressiva, postiça, nefanda". Os dois acontecimentos têm, paralelamente, consequencias polêmicas: se as afirmações de Oswald provocam a resposta irada do crítico carioca Oscar Guanabarino, motivando polêmica deste com Menotti del Picchia, a execução da peça de Satie no primeiro festival é causa de uma dissenção interna, já que Guiomar Novaes, participante do movimento, manifesta-se publicamente contrária à paródia, em carta dirigida ao jornal "O Estado de São Paulo", na edição de 15 de Fevereiro de 1922".
Mesmo assim nossos grandes músicos participaram dos Festivais da Semana de Arte Moderna: Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Ernâni Braga, Fructuoso de Lima Vianna e outros. Conforme a programação anunciada pelos jornais da época, a Semana de Arte Moderna desenvolveu-se em três festivais, realizados nos dias 13, 15 e 17 de Fevereiro. Abaixo segue apenas a programação onde participaram os músicos considerados principais: Villa-Lobos e Guiomar Novaes (que são os dois músicos escolhidos para o Blog do Retalhos do Modernismo, como segue:

Dia 13 de Fevereiro - 2ª Feira: Villa-Lobos
Dia 15 de Fevereiro - 4ª Feira: Guiomar Novaes
Dia 17 de Fevereiro - 6ª Feira: Villa-Lobos

Na sequência, Biografia simplificada de Villa-Lobos e Guiomar Novaes:


VILLA-LOBOS

1887 – 5 de março, nasce Heitor Villa-Lobos, numa casa da Rua Ipiranga, Laranjeiras, no Rio de Janeiro, filho de Raul Villa-Lobos (professor, funcionário da Biblioteca Nacional, autor de livros didáticos) e Noêmia Monteiro Villa-Lobos;
1897 – Aprende violoncelo com o pai;
1899 – 18 de julho, falece seu pai. A pedido da mãe, escreve uma cançoneta: Os Sedutores;
1900 – Inicia o Curso de Humanidades no Mosteiro de São Bento. Escreve A Panqueca, para violão;
1902 – Inicia o aperfeiçoamento da técnica de violoncelo com Benno Niederberger;
1903 – Vai morar com sua tia Fifina. Começa a freqüentar os “chorões”;
1905 – Vende parte dos livros herdados do pai e inicia, como o dinheiro arrecadado e o violoncelo debaixo do braço, sua primeira viagem ao nordeste do Brasil;
1906 – Recebe a proposta do pai da moca que então namorava, para tornar-se representante de sua indústria no Sul – não deu certo: nem a representação e nem o namoro;
1907 – Curta passagem pelo Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, tendo aulas de Harmonia com Frederico Nascimento. Poucos meses depois, abandona o trabalho acadêmico e inicia então a sua terceira viagem que o levaria a Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso;
1908 – Escreve os Cânticos Sertanejos;
1910 – Viaja com um grupo de mambembe pelas cidades do litoral, até dissolver-se em Recife, por dificuldades financeiras. Villa continua viagem para o Norte, com escala em Fortaleza, onde se apaixonou por uma cearense, Carmem;
1912 – Em abril apresenta-se em Belém do Pará. Em julho e setembro em Manaus. Escreve a ópera Izaht, fusão de duas óperas antigas: Aglaia e Elisa;
1913 – Regressa ao Rio de Janeiro. Conhece Lucília Guimarães. O casamento acontece no dia 12 de novembro. Permanece morando com a família de Lucília na Rua Fonseca Teles n.º 7, em São Cristóvão. Ganha a vida tocando, de dia, na Confeitaria Colombo e, à noite, no Assírio – restaurante localizado no Teatro Municipal;
1915 – Em janeiro e fevereiro estréia como compositor e realiza os primeiros concertos com suas obras, em Friburgo, acompanhado de Lucília e Agenor Bens na flauta. Nesse mesmo ano estréia no Rio de Janeiro. Em julho deu-se a estréia da Suíte Característica pela Sociedade de Concertos Sinfônicos, sob a regência de Francisco Braga e Villa atuou como violoncelista na orquestra. Em 13 de novembro, realiza o primeiro concerto com obras exclusivamente suas, no salão do Jornal do Comércio;
1917 – Em fevereiro realiza o segundo concerto com obras exclusivamente suas, também no salão do Jornal do Comércio. É apresentado a Darius Milhaud, compositor francês, secretário do Embaixador da França no Brasil, Paul Claudel. Compões os bailados Amazonas e Uirapuru, primeiros marcos do seu estilo definitivo;
1918 – Conclui a ópera Izaht. Compõe a Prole do Bebê n.º 1, suíte pianística. É apresentado a Arthur Rubinstein. O famozo pianista polonês deixa-se conquistar por esta suíte – sobretudo pelo número final, Polichinelo, passando a executá-la em suas turnês artísticas;
1919 – Tem início a divulgação das suas obras no exterior, apresentando o Quarteto Op. 15 em Buenos Aires. Compõe as Canções Típicas Brasileiras para voz e piano;
1920 – Compõe o Choro n.º 1, para violão e a Lenda do Caboclo, para piano;
1921 – Compõe a Prole do Bebê n.º 2, para piano. Recebe a visita em sua casa no Rio de Janeiro de Graça Aranha, Ronald de Carvalho e Paulo Prado, que foram convidá-lo para participar de um evento que aconteceria em São Paulo no início do próximo ano. O compositor confirmou presença;
1922 – Participa da Semana de Arte Moderna de São Paulo;
1923 – Compõe Noneto. 30 de junho, inicia, sozinho, a bordo de um navio francês, a sua primeira viagem à Europa: “Vim mostrar o que eu fiz. Se gostarem, ficarei, senão voltarei para a minha terra”, declarou ao chegar em Paris. E Paris passou a ser sua segunda cidade;
1924 – Compe o Choros n.º 2 e o Choros n.º 7. O compositor realiza concertos na Bélgica, em 3 de abril e em Lisboa em 9 e 16 de março. Em Paris o pianista Arthur Rubinstein interpreta Prole do Bebê. Manuel Bandeira na revista Ariel ( São Paulo), anuncia a volta de Villa-Lobos ao Brasil, em outubro;
1925 – Em fevereiro, em São Paulo, rege seus primeiro concertos. Realiza também concerto no Rio de Janeiro. Compõe o Choros n.º 2, o Choros n.º 8 e o Choros n.º 10. Compõe também as Serestas, para voz e piano;
1926 – 15 de novembro, participa no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, do: O Grande Concerto de Coros e Orquestra, um espetáculo de gala em homenagem ao Governo da República. Em 24 de Novembro, o programa foi repetido no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Realiza ainda três festivais sinfônicos para a Associação Wagneriana de Buenos Aires. Compõe o Choros n.º 4, o n.º 5 e o n.º 6. Compõe também as Cirandas, para piano;
1927 – Em companhia de Lucília, parte novamente para Paris e se instala na Place St. Michel n.º 11. Em 13 de março, exibe com Souza Lima, na Salle Gaveau, música para um filme mudo – documentário sobre o Brasil. Trabalha como revisor na casa Max Esching. Em 24 de outubro realiza concerto na Salle Gaveau, em Paris. Em 5 de dezembro rege ainda na Salle Gaveau: Concerts Colonne e L’Art Choral;
1928 – Em Paris, compõe o Choros Bis, o Choros n.º 11;
1929 – Compõe o Choros n.º 9, os 12 Estudos para violão. No início do segundo semestre, volta ao Brasil. Organiza concertos no Rio de Janeiro, dia 26 de Agosto, no Teatro Lírico, e em São Paulo, em 2 de outubro, rege: Grande Concerto Sinfônico. Em 4 de outubro, volta à Europa. É professor de composição no Cnservatório Internacional de Paris e faz parte do Comitê d’Honneur;
1930 – Em 3 de abril e 7 de maio rege dois festivais: Festival Villa-Lobos, ambos na Salle Gaveau, em Paris. Retorna ao Brasil chegando em Recife no dia 1 de junho, em companhia do violonista belga Maurice Raskin. Dia 29 de junho, já está em São Paulo. Elabora um plano de educação musical que é apresentado à Secretaria de Educação de São Paulo. Getúlio Vargas chega ao poder à frente de uma revolução. Nomeado interventor para São Paulo, João Alberto convida Villa-Lobos para discutir o plano de educação musica. Ainda nesse ano compõe Bachianas Brasileiras nº 1 e nº 2;
1931 – Inicia em janeiro, extensa turnê artística pelo interior de São Paulo (mais de 50 cidades), juntamente com outros artistas: os pianistas Souza Lima, Guiomar Novaes, Antonieta Rudge e Lucília Villa-Lobos, e ainda o violonista belga Murice Raskin e a cantora Nair Duarte Nunes. Em 31 de maio, na cidade de São Paulo, organiza a primeira concentração orfeônica, sob o nome de Exortação Cívica, que teve a participação de mais de 12 mil vozes. Compõe as Bachianas Brasileira n.º 4 e Quarteto de Cordas n.º 5;
1932 – A convite de Anísio Teixeira, radica-se no Rio de Janeiro, onde assume a supervisão da Secretaria de Educação Musical e Artística, Sema, especialmente criada para ele. À frente da entidade, coloca em prática suas idéias educacionais: a instituição do ensino obrigatório de música e canto orfeônico nas escolas. Cria o Curso de Pedagogia de Música e Canto Orfeônico, de onde surgiu o Orfeão de Professores do Distrito Federal. Compõe o Guia Prático, com harmonizações de temas folclóricos;
1933 – Compõe uma coleção de modinhas que inclui o Lundu da Marquesa de Santos, Cantilena, Remeiros do São Francisco;
1934 – Rege, no Rio de Janeiro, seu bailado Jurupari (Choros n.º 10), tendo Serge Lifar como protagonista;
1935 – Rege três concertos sinfônicos no Teatro Colón de Buenos Aires. No Rio de Janeiro, comemorando o 250.º aniversario de nascimento de Bach, rege em primeira audição a Missa em si menor do compositor alemão;
1936 – A convite do Governo da Tchecoslováquia, participa do Congresso de Educação Musical Popular, em Praga, como delegado brasileiro. De Berlim, envia carta a Lucília desfazendo o casamento. Passa a morar com a jovem cantora Arminda Neves d’Almeida (Mindinha) na Rua Araújo Porto Alegre, n.º 56. Compõe o Ciclo Brasileiro, para piano;
1937 – Compõe as quatro suítes do Descobrimento do Brasil e a Missa de São Sebastião. É membro honorário da Academia de Santa Cecília de Roma;
1938 – Compõe as Bachianas Brasileira n.º 3, n.º 5, n.º 6, e o Quarteto de Cordas n.º 6;
1939 – Compõe As Três Marias, para piano;
1940 – Concentração orfeônica no estádio do Vasco da Gama, reunindo 40 mil escolares. Compõe o balé Mandu-Çarará e os Prelúdios para violão;
1941 – Nova demonstração de canto orfeônico no estádio do Vasco da Gama. Sob a regência de Villa-Lobos e Sílvio Caldas, canta o Gondoleiro do Amor, de Castro Alves, acompanhado por 30 mil vozes. Conclui a versão orquestral da Bachianas Brasileiras n.º4;
1942 – Dirige o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Cria a sua própria orquestra sinfônica. Compõe a Bachianas n.º 7, o Poema de Itabira, sobre texto de Drummond de Andrade, e o Quarteto de Cordas n.º 7;
1943 – É nomeado Doutor em Música Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque e também pela Universidade de Los Angeles;
1944 – Compõe a Bachianas n.º 8, o Quarteto de Cordas n.º 8 e a Sinfonia n.º 6 (Montanhas do Brasil). Faz sua primeira viagem aos Estados Unidos;
1945 – 14 de julho, funda a Academia Brasileira de Música e torna-se seu primeiro presidente. Compõe a Bachianas Brasileiras n.º 9, a Fantasia para violoncelo e orquestra, o Quarteto de Cordas n.º 9. Nos Estados Unidos, rege a Sinfônica de Boston em programa “só Villa-Lobos”;
1946 – Compõe o Quarteto de Cordas n.º 10;
1947 – Faz sua segunda viagem aos Estados Unidos. Ganha o prêmio do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura. Escreve com os libretistas Forest e Wright, a opereta Magdalena;
1948 – A sua ópera Malazarte é estreada nos Estados Unidos. Tem sua saúde agravada e é operado de câncer nos Estados Unidos. Compõe a Canção de um poeta do Século XVIII e o Quarteto de Cordas n.º 11;
1949 – Reinicia as turnês artísticas pela Europa e Estados Unidos. Em Israel, compõe um poema sinfônico em homenagem ao novo Estado;
1950 – Compõe o poema sinfônico Erosão; o Assobio a Jato, para flauta e violoncelo, e o Quarteto de Cordas n.º 12;
1951 – Compõe o Quarteto de Cordas n.º 13, o Concerto para violão e orquestra e a Sinfonia n.º 9;
1952 – Recebe do Governo do Estado de São Paulo encomenda para obra comemorativa do IV Centenário da capital paulista; será a Sinfonia n.º 10, Sumé Pater Patrium;
1953 – Compõe o Quarteto de Cordas n.º 14, a Odisséia de Uma Raça, dedicada ao Estado de Israel; o Concerto n.º 2, para violoncelo e orquestra;
1954 – Visita Israel a convite do governo de Tel-Aviv. Compõe o Quarteto de Cordas n.º 15, a Sinfonia n.º 11 (encomendada pela Sinfônica de Boston), o Quarteto de Cardas n.º 16;
1955 – A imprensa francesa faz referências elogiosas a concertos na Salle Gaveau. Compõe Yerma (ópera em três atos) e o balé Emperor Jones;
1956 – De volta ao Brasil, vê morrer na Justiça o processo de plágio que lhe movia o espólio de Catulo da Paixão Cearense por sua utilização, no Choros n.º 10, da letra para schottisch Yara, de Anacleto de Medeiros;
1957 – O The New York Times traz editorial saudando os 70 anos do compositor. Compõe o Quarteto de Cordas n.º 17. Trabalha na partitura do filme Green Mansions, que se transformará na Floresta do Amazonas;
1958 – Rege a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro, na primeira audição do Magnificat Alleluia. Compõe a Bendita Sabedoria, para coro misto, a Fantasia Concertante para orquestra de violoncelos;
1959 – 12 de julho, rege o seu último concerto em New York. Em setembro assiste, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a uma execução do Magnificat Alleluia. A doença que o acometera em 1948 volta a agravar-se. É internado no Hospital dos Estrangeiros, voltando para casa depois de uma surpreendente recuperação;

1959 – 17 de novembro, morre em seu apartamento da rua Araújo Porto Alegre, no Rio de Janeiro. Foi sepultado no cemitério de São João Batista.

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GUIOMAR NOVAES


1894 – 28 de fevereiro, em São João da Boa Vista – SP., nasce Guiomar Novaes Pinto, filha do Major e negociante de café, Manoel José da Cruz Novaes e da pianista e compositora Anna de Carvalho Menezes Novaes. A família de Guiomar era composta por vinte e uma pessoas. Dos dezenove filhos do casal Novaes oito morreram e foram criados onze: Maria Amélia, Jorge, Alice, Anthenora, Tereza, Anália, América, Accacio, Guiomar, Gastão e Aurora. Família religiosa, Guiomar vivia num ambiente de união e harmonia, o que influenciou muito na formação de sua personalidade musical;
1898 – Começa a tocar piano, de ouvido. Não demorou para que "Guiomarzinha" tomasse seu lugar ao piano, executando músicas para o deleite de seus pais e irmãos;
1901 – Torna-se aluna de Luigi Chiaffarelli e das assistentes “Maria Edul Tapajós e Antonietta Rudge”. Valsa foi a sua primeira composição;
1902 – Tem o seu nome lançado pela imprensa pela primeira vez através do jornal O Estado de S.Paulo;
1905 – A cidade de Tietê – SP., recebe a menina Guiomar e se curvam diante a execução da 10ª Rapsódia Húngara – de Liszt, dos Arabescos – de Schumann e do Noturno Opus 55 – Nº1. Em São Paulo tocou a: “Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro”;
1908 – Apresenta-se profissionalmente no Rio de Janeiro;
1909 – 26 de outubro, muda-se para Paris – França, para completar seus estudos. Em 18 de novembro, nos exames de admissão do conservatório local, é a primeira colocada entre 388 concorrentes, julgados por um júri formado por Debussy, Farué e Moszkowski;
1911 – 5 de julho, aluna de Isidoro Philipp, forma-se em primeiro lugar com a execução da “2ª Balada de Chopin”;
1912 – 11 de fevereiro, participa de uma audição em Paris onde executou o Concerto em Ré Menor de Mozart. Em maio foi para Londres onde realizou vários concertos;
1913 – 11 de fevereiro, parte para Milão - Itália e dá uma audição particular no Salão Real do Conservatório. Parte para a Genebra – Suíça e é aplaudida num concerto com mais de 3 mil pessoas. Passa por Berlin e Munique – Alemanha e retorna para o Brasil;
1914 – 25 de junho, estréia oficialmente no Municipal do Rio de Janeiro;
1915 – No final do ano, participa do recital no Aeolian Hall, em Nova York;
1916 – 28 de fevereiro, estréia em Boston. Em 6 de junho faz sua estréia com orquestra no Festival de Norfolk. Em 18 de julho, acompanhada pela Civic Orchestral Society, apresenta-se no Madison Square Garden para um público de aproximadamente 6 mil pessoas;
1917 – Apresenta-se no Carnegie Hall, acompanhada pela Filarmônica de Nova York;
1919 – Iniciou as gravações pela “Victor”;
1922 – Em fevereiro participa da Semana de Arte Moderna. Em 8 de dezembro casa-se com Otávio Pinto, engenheiro civil, arquiteto e também compositor. Para a vida artística continuou com o nome de solteira e passou a ser chamada de Madame Novaes;
1923 – 22 de setembro de 1923, às 17h, nasce a primeira filha Anna Maria;
1939 – Recebe honraria da Legião de Honra da França;
1950 – 30 de outubro, falece o esposo Otávio Pinto, de problemas cardíacos;
1956 – Recebe a Ordem do Cruzeiro do Sul, do governo brasileiro;
1963 – Foi convidada especial pela ONU para apresentar-se nas comemorações dos Direitos Humanos, em Nova York;
1967 – Participou da inauguração do Teatro Queen Elizabeth, em Londres, onde foi ovacionada por quinze minutos ininterruptos por mais de 11 mil pessoas;
1974 – No Brasil, através da gravadora Fermata, é lançado um único disco;
1979 – 7 de março, falece em São Paulo – SP, na sua residência na Rua Padre João Manoel, n.º 1178, vítima de enfarto do miocárdio. O velório foi na Academia Paulista de Letras ao som da Marcha Fúnebre da Sinfonia Heróica de Beethoven, executada pela Orquestra Sinfônica Estadual, regida por Eleazar de Carvalho. Foi sepultada em 8 de março no Cemitério da Consolação.

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