
MACUNAÍMA
(Preparação: Prof. Menalton Braff)
O AUTOR: MÁRIO RAUL MORAIS DE ANDRADE
Em 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro para lecionar Estética na Universidade do Distrito Federal.
De muito já vinham suas atividades intelectuais como a de crítico, que lhe granjeou o respeito da intelectualidade brasileira. Foi um dos principais articuladores e organizadores da Semana de Arte Moderna, de 1922, tendo tido participação intensa no evento.
Grande conhecedor do folclore brasileiro, além de pesquisador da cultura indígena, são esses os conhecimentos que lhe valem de matéria-prima para a composição de Macunaíma.
A OBRA
Macunaíma é o resultado de uma visão própria do momento que o Brasil vivia: a negação de nossas tradições literárias, a redescoberta da identidade brasileira em um patamar de extrema transparência e sobretudo sem o maniqueísmo romântico. É com esse intuito que o índio volta à cena. Mas agora o índio "mau selvagem", sem idealizações. Desse primitivismo modernista nasce Macunaíma. Não se estrutura como romance: conflito, desenvolvimento, solução. Por isso, Mário de Andrade o classificou de rapsódia, pois como nas rapsódias é constituído de quadros que se justapõem, sem que um implique o seguinte, a não ser pela necessidade de caracterização das personagens.
PERSONAGENS
Macunaíma é o "herói sem nenhum caráter", por ser herói símbolo, síntese de todos os caracteres brasileiros. Nasce no fundo da mata-virgem (índio), "preto retinto" (negro) e torna-se branco na viagem para o Sul. Nele se concentram a sagacidade, a manha (derrota de Piaimã - o Venceslau Pietro Petra, mas também a tolice, a ingenuidade (os ovos do bugio, o cocô do gambá), a malandragem, a preguiça, a sensualidade (está sempre "brincando"). Torna-se imperador das amazonas por ter brincado com Ci, a mãe do mato, que antes de tornar-se a Beta do Centauro, ainda deu uma muiraquitã para o herói. Esse amuleto vai parar nas mãos do Gigante (Venceslau), que mora em São Paulo, o que obriga Macunaíma a uma prolongada viagem ao Sul. Por fim, sobe para o céu, quando as margens do Uraricoera tornam-se deserto.
Maanape é o irmão mais velho de Macunaíma. É feiticeiro e livra o herói de muitas embrulhadas em que ele se mete.
Jiguê é o outro irmão. Muito ingênuo, primeiro casa com Sofará, com quem Macunaíma gostava de brincar. Casa então com Iriqui, que tem o mesmo destino. Venceslau Pietro Pietra é o Gigante Piaimã, um peruano, rico colecionador de São Paulo, nas mãos de quem a muiraquitã vem parar. É o estrangeiro, o invasor, contra quem Macunaíma terá de demonstrar toda sua esperteza.
ESPAÇO
A ação inicia às margens do Uraricoera, Norte do Brasil, onde nasceu Macunaíma. Mais tarde, o herói e seus dois irmãos empreendem uma viagem para o Sul, atrás da muiraquitã (o amuleto - uma pedra verde em forma de jacaré - presente de Ci). Em São Paulo a ação se desenvolve até a recuperação do amuleto. Os três - Macunaíma, Maanape e Jiguê retornam ao lugar de origem, onde se encerra a história.
Cumpre observar, entretanto, que a noção lógica de espaço é a todo momento rompida, cruzada que é com um espaço mítico - ou mágico - fruto do pensamento indígena. Exemplo disse é o momento em que, fugindo de um cão, Macunaíma vai ao Rio Grande do Sul e volta a São Paulo, correndo a pé, em poucos minutos.
TEMPO
O tempo externo, histórico, de Macunaíma, insere-se no início do século, suas três primeiras décadas. No segundo parágrafo da "Carta pras Icamiabas", o herói, no cabeçalho da carta, anota: "Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis..." Outros elementos da história atestam a validade dessa data: a máquina telefone, a máquina automóvel, etc.
O tempo interno, tempo narrativo, corresponde à vida de uma pessoa, do nascimento à idade adulta. Mas isso, apenas de maneira bastante superficial. O primeiro capítulo é do tipo panorama, que leva o herói do nascimento até ele "brincar" pela primeira vez. Nos demais capítulos não há mais "modificação" de sua idade. Aliás, dá-se com o tempo o mesmo que com o espaço: cruzamento constante entre tempo cronológico e tempo mítico - tudo pode acontecer em um segundo.
NARRADOR
O narrador é, em princípio, um narrador onisciente, foco narrativo em 3ª pessoa. Mas não é tão simples assim. E o penúltimo parágrafo do "Epílogo" é o complicador:
"Tudo ele contou pro homem e depois abriu asa rumo de Lisboa. E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei em riba destas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente."
O narrador só se denuncia no final, para justificar mais uma vez a classificação de rapsódia: ele é um aedo, à maneira dos narradores antigos das rapsódias e das epopéias, mesma função dos cantadores populares, que, nas feiras do Nordeste brasileiro, acompanhando-se de sua viola, narram as histórias com que encantam o imaginário popular.
AÇÃO
Macunaíma, filho de uma tribo que vivia nas margens do Uraricoera (Norte do Brasil), demora seis anos para falar por pura preguiça. Ao abrir a boca pela primeira vez, foi para dizer "Ai, que preguiça". Um dia brinca "na marra" com Ci, a mãe da mata, e torna-se o Imperador das Icamiabas. Antes de se transformar em estrela, Ci lhe dá um amuleto, a muiraquitã. Um dia o herói deixa a muiraquitã no alto de uma árvore e a pedra lhe é roubada. Ao ficar sabendo do destino da pedra, inicia, em companhia dos dois irmãos, uma viagem para o Sul (São Paulo), para resgatar a pedra. Depois de golpes e contragolpes, entre Macunaíma e Venceslau Pietro Pietra, finalmente o herói vence e recupera a muiraquitã. Na viagem de volta, Macunaíma adoece. Quando chegam à aldeia às margens do Uraricoera, não há mais ninguém. É só deserto. Através de uma feitiçaria, ele é transformado na constelação da Ursa Maior.
COMENTÁRIOS
Macunaíma é composto em cima de lendas indígenas, recuperando muito de sua linguagem e de seu modo de pensar.
Como síntese do Brasil, existem expressões das mais diversas regiões do Brasil. São Paulo, Nordeste, extremo sul do Brasil, comparecem com seus falares. Sendo uma radicalização da bandeira modernista, que pregava a aproximação entre linguagem das ruas e linguagem literária, Macunaíma está pontilhada de expressões populares, como: "no outro dia...", "légua e meia", "jacaré ...? Nem ...", "de já-hoje", etc.
O tom geral do texto é de paródia e o melhor exemplo, aquele em que se explicita a intenção, é a "Carta pras Icamiabas". As flexões verbais, o emprego dos pronomes, o vocabulário utilizado, tudo leva um ranço "respeitoso", que lembra a linguagem escrita, "culta", ou seja, extremamente formal, principalmente de documentos oficiais, mas muitas vezes encontrada também em textos jornalísticos.Várias são as passagens irônicas. Uma delas, na qual o narrador ironiza o vezo romântico de fornecer rol de elementos da natureza, com o objetivo de engrandecê-la, o narrador apresenta uma lista de mosquitos: "E eram muitos mosquitos, piuns maruins arurus tatuquiras muriçocas meruanhas mariguis borrachudos varejas, toda essa mosquitada."
Estilo - Seguindo as observações de A Bosi, em sua História Concisa: "À primeira observação, distinguem-se, na obra, três estilos de narrar:
a) um estilo de lenda, épico-lírico, solene:No fundo do mato-virgem nasceu macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram Macunaíma.b) um estilo de crônica, cômico, despachado, solto:Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar, exclamava: - ai! Que preguiça!...E não dizia mais nada.c) um estilo de paródia. Mário de Andrade toma o andamento parnasiano típico, anterior a 22, à Coelho Neto e à Rui Barbosa e, nesse código, vaza uma "mensagem" de Macunaíma às Icamiabas:
É São Paulo construída sobre sete colinas, à feição tradicional de Roma, a cidade cesárea, "capita" da Latinidade de que provimos; e beija-lhe os pés a grácil e inquieta linfa do Tietê. As águas são magníficas, os ares tão amenos quanto os de Aquisgrana ou de Anverres, e a área tão a eles igual em salubridade e abundância, que bem se pudera afirmar, ao modo fino dos cronistas, que de três AAA se gera espontaneamente a fauna urbana.
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"Passando abruptamente do primitivo solene à crônica jocosa e desta ao distanciamento da paródia, Mário de Andrade jogou sabiamente com níveis de consciência e de comunicação diversos, justificando plenamente o título de rapsódia, mais do que "romance" que emprestou à obra."
E para terminar, é ainda útil recorrer ao auxílio do professor Alfredo Bosi:
"Em Macunaíma, a mediação entre o material folclórico e o tratamento literário moderna faz-se via Freud e consoante uma corrente de abordagem psicanalítica dos mitos e dos costumes primitivos que as teorias do Inconsciente e da "mentalidade pré-lógica" propiciaram. O protagonista, "herói sem nenhum caráter", é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir, desde o nascimento em plena selva amazônica e as primeiras diabruras glutonas e sensuais, até a chegada à São Paulo moderna em busca do talismã que o gigante Venceslau Pietro Pietra havia furtado."
Batizado de Macunaíma - Tarsila do Amaral - óleo sobre tela - 1956.
Muito boa a interpretação
ResponderExcluirO real motivo pelo qual eu fiquei reprovado em orgânica 1 com a Lages, foi porque ela deu 0,4, uma 2ª prova final para a Emanuele Lima Silva passar em orgânica 1 e eu não. Quer dizer que todos os alunos só têm direito a 3 provas e a Emanuele tem direito a 4?
ResponderExcluirEu não sabia que para passar em orgânica 1, eu tinha que puxar o saco da Lages, eu pensei que para passar em orgânica 1, eu só precisava estudar. Isso é tudo culpa dos alunos da Fernanda, que passaram colando em cálculo para farmácia usando o Photomath, quando eu chegou em orgânica 1, eles decidiram que não iriam me dar cola e não me avisaram nada. Estava fácil passar na Fernanda, se os alunos da Fernanda tivessem tido ao menos o trabalho de me avisar que não iriam me dar cola, eu teria estudo para passar em orgânica 1 com a Fernanda e não teria tido o desprazer de conhecer a Lages.
Eu não consegui vaga em outra turma e tive que puxar orgânica 1 com a Lages de novo. Então a minha missão na 2ª vez que eu fiz orgânica 1 com ela, foi evitar que ela fizesse com qualquer outro aluno, o mesmo que ela fez comigo, eu não queria mais que Lages prejudicasse ninguém. Eu protegi a minha antiga turma de orgânica 1 das garras da Lages, eu não sou igual aos alunos da Fernanda que me abandonaram em orgânica 1, eu não abandonei ninguém em orgânica 1, eu não atrasei a graduação de ninguém.
Depois que a disciplina acabou, eu descobri que tinham 3 alunas de IC na turma, a Gabriela Santana Andrade, a Giovanna Gomes Martins e a Ramaiana Hackbart Timm. Eu não sabia que tinha gente fazendo IC naquela turma, eu só estava agindo daquele jeito, porque eu achava que estava todo mundo na merda igual a mim. Eu não sabia que tinha gente na turma com a vida melhor que a minha. Eu não sabia que tinha gente na turma lá no bem bom contribuindo com a ciência brasileira. Se eu soubesse que tinha gente fazendo IC naquela turma, eu teria trancado orgânica 1. Eu queria ver só fazendo iniciação científica e ainda em orgânica 1.
Eu não consegui vaga de orgexp 1 com outro professor e tive que fazer orgexp 1 com a Lages. Eu perguntei a ela, se ela estava precisando de um monitor voluntário para orgânica 1 teórica, que eu queria ser monitor. Ela falou que tinha que esperar abrir processo seletivo. Só que ela nunca fez isso. Ano passado, eu descobri que ela chamou você para ser monitor dela, mesmo sem ter aberto processo seletivo, você deve ter puxado muito o saco dela. Você abusou do fato de ser monitor dela para disponibilizar ilegalmente uns livros no Google Drive. Pirataria é crime, agora eu descubro que você virou representante discente do COAA da farmácia. É isso que acontece com quem comete um crime vira membro do COAA, você deve ter puxado muito o saco de alguém do COAA para virar membro do COAA igual você puxou o saco da Lages. Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:
https://www.instagram.com/paulorobertofalco/
https://br.linkedin.com/in/paulo-falco-856772268?trk=public_post-text
Mas também você é amigo do Guilherme de Sousa Barbosa. Ano passado, ele ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. Ele nunca falou comigo na faculdade, a única vez que ele veio falar comigo é para ameaçar me bater. Depois que ele ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. A Camilly Enes Trindade, a Ana Clara Gomes de Oliveira, a Ana Carolina Vieira Metello, a Bruna Coelho de Almeida, a Giulia Amarante de Almeida Mussi da Silva, a Leticia de Sousa Albuquerque, o Nathan Genovez Dias de Fonseca e o Vinicius Gomes Gadini foram fazer queixinha sobre mim na coordenação da farmácia.
Por causa disso, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa, que nem me conhece e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já mandariam esse FDP subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricada.